Café: Exportações registram recorde de receita, mesmo com queda nas remessas
A safra cafeeira 2024/25 enfrentou políticas tarifárias desafiadoras, mas contou com alta das cotações para garantir o resultado do setor

A cafeicultura brasileira encerrou a safra 2024/25 com receita recorde de US$ 14,728 bilhões. A valorização internacional de 60% foi o principal motor da receita, compensando a queda de 20,3% no volume exportado, conforme aponta o Relatório Campo Futuro – Café (dez/2025).
Ainda de acordo com o relatório, a competitividade do café brasileiro no exterior está diretamente ligada à estrutura de custos dentro das propriedades. Dessa forma, a cafeicultura encontra na eficiência produtiva e cadeia logística eficaz elementos estratégicos para diversificação de mercados e redução de riscos.
A lógica é semelhante à observada em outras cadeias mecanizadas do agro, em que eficiência operacional sustenta competitividade mesmo sob pressão de custos.
Além da eficiência operacional, a diversidade de sistemas produtivos – do café mecanizado ao de montanha – amplia a capacidade brasileira de atender diferentes nichos e perfis de consumo. Esse portfólio sustenta a liderança global em volume e reforça a geração de receita em mercados de maior valor agregado.
Rearranjo no mapa das exportações
Entre agosto e novembro de 2025, o café brasileiro enfrentou uma tarifa adicional de 40% a 50% para entrar nos Estados Unidos, o que fez as vendas para esse destino despencarem mais de 51%.
Com o principal mercado em retração, o fluxo migrou para a Alemanha, que se consolidou como maior compradora, enquanto a China manteve um crescimento robusto na demanda pelo produto nacional.
Como maior produtor global de arábica e segundo de conilon, o Brasil permanece no centro da disputa internacional pela commodity.
Custo Operacional Total (COT) crescente reduz margens de lucro
O Custo Operacional Total (COT) tem subido de forma persistente, afetando o resultado dos agricultores. Efeito potencializado pelas diferenças regionais que encontramos na cafeicultura nacional.
O setor caffeiro pode ser dividido em três faixas de custo, que ajudam a compreender a composição de preço e efeito na competitividade: as regiões mecanizadas, que suportam melhor as baixas de preços; as intermediárias; e os polos de café conilon (Espírito Santo e Rondônia), que dependem muito de mão de obra e são mais sensíveis às oscilações do mercado.
No Norte de Minas, o uso de escala e tecnologia permitiu uma rentabilidade de 79,55%. Já nas Matas de Rondônia, mesmo com uma produtividade alta de 67 sacas por hectare, o retorno financeiro foi de apenas 7,98%.
Os resultados evidenciam que a rentabilidade do cafeicultor não depende apenas da produtividade ou das cotações internacionais. Eficiência produtiva, escala e logística tornam-se fatores decisivos para a competitividade no comércio exterior e para a sustentabilidade econômica da atividade no longo prazo.
Referências:Competitividade brasileira do café: mercados internacionais, estrutura de custos e dinâmica produtiva
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