Aquicultura integrada aumenta em 25% a produção de proteína
Manejo integrado de peixes reduz desperdício de nutrientes e aumenta produção de carne por hectare, sem conflitos de espécies

O modelo Aquicultura Multitrófica Integrada (AMTI) consiste na integração de mais de uma espécie, em um mesmo ambiente de cultivo. Colocando peixes de comportamentos diferentes mas complementares dentro do sistema produtivo, convivendo em simbiose para otimizar os recursos e aumentar a produtividade de proteína.
O modelo foi estudado pela Embrapa Pesca e Aquicultura e os resultados publicados na revista Aquaculture. Entre os principais resultados destacam-se o reaproveitamento das sobras de ração pela espécie 2 do sistema, o aumento de 25% na produção de proteína por hectare e a redução do impacto ambiental.
Tambaqui e Curimba
A primeira espécie utilizada na pesquisa foi o Tambaqui, espécie que predomina na coluna d’água, alimenta-se da ração primária lançada nos tanques e de grande relevância comercial, sendo o segundo peixe de cultivo mais produzido no Brasil.
A segunda espécie escolhida foi a Curimba, peixe que vive no fundo do viveiro e alimenta-se de plâncton, sobras da ração e sedimentos. A grande aceitação de mercado, colocou a espécie como a segunda mais exportada.
“A curimba possui um perfil ecológico que complementa a função do tambaqui. A criação do tambaqui não sofre alterações com a inclusão da curimba, que é um peixe de fundo, responsável por consumir as sobras de ração e alimentos presentes no sedimento do fundo do viveiro”, explica Adriana Ferreira Lima, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura.
Mais produtividade
As duas variedades foram inseridas na mesma proporção (50% de cada), ainda na fase de alevinos mas com tamanhos semelhantes, de forma simultânea. Como a Curimba se desenvolve com o aproveitamento de sobras, o manejo alimentar é o mesmo do monocultivo.
O estudo ainda demonstrou que, embora os peixes atinjam o peso de abate em momentos distintos, o Tambaqui atinge 1,8kg antes de a Curimba atingir 500g, mas o fato não impede a retirada dos indivíduos prontos para o abate, mantendo o sistema funcional até a Curimba atingir o peso necessário.
Desta forma o sistema mantém a quantidade de ração enquanto alimenta duas populações convivendo em simbiose. O manejo aumenta em até 25% a produção de proteína e gera impacto econômico direto para o produtor.
Menos Impacto
Um dos principais impactos observados na pesquisa é a redução da pegada de carbono, que caiu de 4,27 kg de kg de CO₂ (ou equivalente) para 3,9 kg por quilo de proteína produzido. Além disso, o reaproveitamento da biomassa é um fator de sustentabilidade adicional.
A redução da eutrofização e acidificação também foi observada, com a espécie Curimba realizando a filtragem dos nutrientes, convertendo o que seria nocivo ao viveiro em proteína animal limpa.
Referências:Integração de espécies eleva produtividade e reforça sustentabilidade na piscicultura amazônica
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