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Etanol de milho vira eixo estratégico para safra recorde brasileira

Expansão industrial cresce acima de outros usos, fortalece preços e pode ser alternativa a gargalos de armazenagem no Brasil

Etanol de milho vira eixo estratégico para safra recorde brasileira

A expansão do etanol de milho consolidou uma nova frente de demanda global pelo cereal, com destaque para América do Sul e Sul da Ásia. O avanço do uso industrial do milho sustenta o consumo doméstico em meio às incertezas do comércio internacional e reforça a estratégia de combustíveis renováveis nas duas regiões.

No Brasil, o uso industrial do milho mais que dobrou nos últimos cinco anos, impulsionado pela ampliação da capacidade de produção de etanol. O segmento passou a liderar o crescimento da demanda interna, ganhando peso estratégico acima das exportações no escoamento da safra recorde.

Na Índia, incentivos governamentais aceleraram o consumo de milho para etanol, estimulando tanto a produção do cereal quanto seu uso industrial. O movimento acompanha a tendência regional de priorização de combustíveis renováveis como vetor de expansão da demanda.

As projeções indicam continuidade desse avanço. Na América do Sul, o consumo industrial de milho deve subir de cerca de 28 milhões de toneladas em 2022/23 para mais de 40 milhões em 2026/27. No Sul da Ásia, a expectativa é de crescimento de aproximadamente 19 milhões para mais de 23 milhões de toneladas no mesmo período.

Qual o contexto?

O avanço do etanol de milho também mudou a dinâmica do mercado brasileiro. A demanda do setor deve consumir cerca de 25 milhões de toneladas do cereal em 2026, ajudando a absorver parte da safra recorde e reduzindo a pressão sobre os preços internos em períodos de oferta elevada.

Além do combustível, a cadeia ganhou relevância pela geração de coprodutos. A produção de DDG, usado na nutrição animal, deve alcançar 5 milhões de toneladas em 2026, ampliando a integração entre usinas e pecuária, principalmente em Mato Grosso, onde o insumo surge como alternativa ao farelo de soja.

A expansão industrial ainda ajuda a reduzir gargalos logísticos e de armazenagem no país. Com déficit de armazenamento de grãos estimado em 132 milhões de toneladas, o processamento do milho próximo às regiões produtoras evita perdas, reduz vendas forçadas e reforça políticas como o RenovaBio, voltadas à segurança energética e aos biocombustíveis.

Referências:World Agricultural Product (Maio/26), Grain: World Markets and Trade (Maio/26)

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