Quaresma é a data mais importante da piscicultura brasileira
O hábito de substituir outras proteínas animais pelo consumo de peixe na Semana Santa impulsiona o setor

O período da quaresma é esperado pela Piscicultura, especialmente na Semana Santa, quando os brasileiros evitam o consumo de carnes vermelhas e buscam a proteína de peixe para suas refeições na Sexta-feira da Paixão.
O consumo é tão relevante no período que pode definir a continuidade da oferta para o resto do ano. O mês de abril costuma registrar os picos de comercialização dos produtos. A influência da oferta e procura no preço e rentabilidade impactam o planejamento da cadeia produtiva para a próxima safra.
Consumo na Quaresma dita o ritmo do próximo ciclo
Mesmo com o consumo de peixes de cultivo crescente no Brasil ao longo do ano (45% entre 2015 e 2023), a tradição da Semana Santa continua sendo central e ditando o ritmo da continuidade da oferta para o próximo ciclo.
O volume do consumo na Páscoa vai influenciar a compra de alevinos, de acordo com a remuneração e os custos operacionais dos produtores. Baixa rentabilidade pode reduzir a taxa de reposição, assim como uma boa performance de vendas pode incentivá-la, impactando a oferta futura.
Além disso, a indústria de nutrição animal e também o setor de logística se preparam para atender produtores e mercados. O que significa aumento na produção de ração e também a intensificação do fluxo logístico no período da Quaresma.
No entanto, tanto a indústria como o setor de logística, podem enfrentar redução de produção e disponibilidade de infraestrutura para o ciclo seguinte, já que o planejamento da cadeia produtiva levará em conta a expectativa de produção de alevinos.
Hábitos e preferências dos consumidores de peixe no Brasil
Um estudo (publicado no Anuário Peixe BR de 2023, referente ao consumo total) revelou que 93,2% dos brasileiros consomem peixe, com 76,9% dos entrevistados apontando a tilápia como a espécie preferida.
A forma mais consumida é o filé (fresco ou congelado), embora o setor busque outras formas de comercializar como o preparo rápido (empanados, hambúrgueres e costelinhas). Entre as espécies, a tilápia representa cerca de 70% de toda a produção nacional de peixes de cultivo (Peixe BR, 2025).
Considerando os peixes nativos (Redondos) o Tambaqui é o líder absoluto, mas outras espécies como o Pacu, Pirapitinga, Tambatinga, Pintado, Curimatã e Matrinxã têm bastante aceitação dos consumidores.
O Pangasius é uma peixe que tem ganhado muito espaço no consumo. Sua carne é conhecida pelo filé de qualidade, sabor e ausência espinhas. Embora dependa de importações (50.550 toneladas em 2023, segundo o Anuário Peixe BR de 2023) um potencial de R$ 500 milhões com a nacionalização da produção tem atraído a atenção de produtores, especialmente na região Nordeste.
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