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Novos protocolos da Embrapa miram pecuária leiteira de baixo carbono

Protocolos detalham como o manejo animal e a conservação do solo integram estratégia para neutralizar gases estufa.

Novos protocolos da Embrapa miram pecuária leiteira de baixo carbono

A Embrapa lançou três protocolos técnicos para orientar produtores de leite na redução de gases de efeito estufa e aumento do sequestro de carbono. O material oferece soluções que integram a saúde animal ao manejo regenerativo do solo.

A iniciativa busca tornar as propriedades mais resilientes e atender às metas globais de descarbonização, através de uma estratégia dividida em três eixos, complementares entre si, que atuam nas principais fontes de emissão da pecuária.

O primeiro foca no animal (emissão direta), o segundo no solo (perdas de fertilizantes) e o terceiro na remoção de gases da atmosfera (sequestro). Juntos, eles formam um ciclo onde a eficiência produtiva reduz a pegada de carbono, enquanto o solo atua como um reservatório que compensa as emissões inevitáveis do rebanho.

Mitigação de metano (CH₄) pelos animais

Este pilar foca na eficiência biológica. O objetivo é reduzir o volume de metano gerado na digestão (eructação) por quilo de leite produzido, garantindo que o animal utilize melhor a energia da dieta para a produção e não para combater doenças ou estresse.

  • Aprimoramento Genético: vacas mais produtivas distribuem melhor a carga de metano; holandesas emitem 18,4 g/L contra 25,3 g/L de girolandas.
  • Sanidade e Bem-Estar: animais doentes gastam nutrientes para combater infecções, elevando a emissão por litro de leite produzido.
  • Gestão de Rebanho: um rebanho eficiente deve ter 70% de vacas e 30% de fêmeas jovens, com 83% das adultas em lactação.
  • Índices inapropriados: índices zootécnicos inadequados podem elevar a emissão de metano em até 22%.

Redução de amônia (NH₃) e óxido nitroso (N₂O) no solo

O foco aqui é mitigar os poluentes oriundos da fertilização e dos dejetos. O óxido nitroso é 298 vezes mais potente que o CO₂. A interação neste eixo visa aumentar a eficiência agronômica, evitando que o nitrogênio se perca para a atmosfera ou gere prejuízo financeiro ao produtor.

  • Uso de Leguminosas: a fixação biológica de nitrogênio evita a emissão de 5,42 kg de CO₂ para cada quilo de fertilizante químico poupado.
  • Manejo de Dejetos: a lotação rotativa permite uma distribuição uniforme das fezes, evitando altas concentrações de gases em pontos isolados.
  • Tecnologia de Aplicação: o uso de fertilizantes de eficiência aumentada e a incorporação da ureia ao solo reduzem drasticamente a volatilização.

Manejo de solos para acúmulo de carbono

Através de manejos conservacionistas, o solo retira o CO₂ da atmosfera e o transforma em matéria orgânica estável. É uma ferramenta fundamental para compensar as emissões dos outros dois eixos.

  • Práticas de Conservação: uso de plantio direto, adubação verde e recuperação de pastagens degradadas para estocar carbono em profundidade.
  • Sistemas Integrados: plantio de árvores permite o abate direto de emissões; 52 eucaliptos compensam a emissão anual de uma vaca de alta produção.
  • Resiliência Hídrica: pastagens bem manejadas são mais saudáveis e tornam o gado menos suscetível a doenças, retroalimentando o Eixo 1.

“A adoção de tecnologias adequadas para cada tipo de sistema é crucial para desenvolver uma pecuária mais resiliente, sustentável e responsável”, afirma Alexandre Berndt, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste.

Apesar dos benefícios, o custo inicial de implementação ainda é um desafio para o pecuarista descapitalizado. No entanto, a rentabilidade gerada pela maior eficiência permite novos investimentos futuros, contando com o apoio de políticas públicas como o Plano ABC+.

Referências:Novos protocolos estabelecem práticas de baixo carbono na produção de leite

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