HomeSustentabilidade Manejo e clima ditam pegada hídrica na produção de leite no Sul

Manejo e clima ditam pegada hídrica na produção de leite no Sul

Estudo aponta que eficiência no campo e produtividade de grãos são chaves para reduzir consumo de água diante do clima imprevisível.

Gado leiteiro de raças Holandesa e Jersey bebendo água em bebedouro circular metálico, em sistema de pastoreio com sombreamento natural e cercamento elétrico. Foto: Gisele Rosso / Embrapa.

Pesquisadores brasileiros e alemães analisaram 67 propriedades leiteiras no Rio Grande do Sul para medir como o clima e a gestão impactam o uso da água. O estudo, publicado na Science of The Total Environment, revelou que a produtividade das lavouras de milho e soja é o fator mais determinante para a sustentabilidade hídrica do setor.

O levantamento mapeou fazendas em Lajeado Tacongava, cobrindo 81,7% das propriedades da bacia hidrográfica local. Foram testadas 192 combinações entre práticas de manejo e cenários climáticos. Os resultados mostram que, embora o calor aumente a sede do rebanho, é a eficiência na produção do alimento das vacas que define a maior parte da pegada.

Tipos de uso da água na produção leiteira

A pesquisa dividiu o consumo em três categorias: verde (chuva absorvida pelas plantas), azul (rios e poços) e cinza (água para diluir efluentes). A pegada verde é a protagonista silenciosa, representando entre 98,8% e 99% do total consumido em sistemas a pasto ou confinamentos.

Para o produtor, isso significa que a gestão da água começa muito antes da sala de ordenha. Como a ração é o item de maior peso, qualquer perda na lavoura de milho ou soja, por causa do clima, reflete diretamente na conta hídrica do litro de leite. É uma engrenagem que exige atenção da produção agrícola à pecuária.

Mudanças climáticas elevam consumo de água nas fazendas

As mudanças climáticas representam um fator de custo real. O estudo estima que altas de temperatura entre 1,5°C e 2,5°C elevam o consumo direto de água pelos animais em até 2%. Além disso, o calor estressa as plantas, reduzindo a produtividade do milho e, consequentemente, piorando a pegada hídrica verde.

A variação encontrada nas fazendas foi grande: de 299 a 1.058 litros de água por quilo de leite. Essa amplitude mostra que, independentemente do sistema — seja ele a pasto, semiconfinado ou confinamento —, a gestão eficiente é o que separa uma fazenda sustentável de uma com alto desperdício.

“Independentemente do modelo de produção, se gerenciado corretamente, ele pode ser ambientalmente amigável em relação à água”, destaca Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste.

Práticas que reduzem a pegada hídrica no leite

O que o produtor pode fazer na prática? O estudo lista ações de curto prazo. Melhorar o rendimento de milho e soja em 25% foi a medida que mais reduziu a pegada verde. Já na pegada azul, o foco deve ser o uso racional na limpeza da sala de ordenha e a busca por vacas com melhor conversão alimentar.

A pegada cinza, embora represente menos de 0,11% do total, é um alerta sobre o tratamento de dejetos. Tratar o efluente antes de usá-lo como fertilizante garante que a carga de nitrato não polua os mananciais, mantendo a propriedade dentro das metas de produção responsável.

Gestão eficiente une produtividade e uso racional da água

  • Conversão alimentar: Selecionar animais que produzem mais leite com menos comida reduz a pegada hídrica total.
  • Gestão de dejetos: O tratamento de efluentes é vital para reduzir a contaminação hídrica indireta.
  • Lavoura eficiente: Culturas de alto rendimento usam menos água por tonelada de grão produzida.
  • Tecnologia na ordenha: Reduzir o volume de água na limpeza impacta diretamente a pegada azul.
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