Suíno acumula queda superior a 30% mesmo com exportações recordes
Embarques batem recorde histórico, mas consumo interno fraco mantém pressão sobre preços e margens nas granjas

A suinocultura brasileira enfrenta um cenário de forte pressão sobre a rentabilidade em 2026. Em abril, o preço do suíno vivo no mercado paulista (SP-5) recuou 14,6% frente a março, para R$ 5,91/kg, enquanto no Oeste Catarinense a queda foi de 16,4%, para R$ 5,71/kg. No acumulado do ano, a desvalorização real supera 30%, na maior retração para o período desde o início da série histórica, em 2002.
O movimento ocorre em meio ao enfraquecimento do consumo doméstico, principal destino da produção nacional. Mesmo com exportações em níveis recordes, o mercado externo absorve apenas parte da oferta, mantendo a pressão sobre os preços pagos aos produtores e ampliando os riscos de descapitalização nas granjas.
Exportações ajudam, mas não compensam fraqueza do mercado interno
As exportações brasileiras de carne suína somaram 138,3 mil toneladas em abril, o maior volume já registrado para o mês desde 1997. No primeiro quadrimestre, os embarques alcançaram 526,4 mil toneladas, avanço de 14,4% em relação ao mesmo período de 2025. O destaque foi o Japão, que ampliou suas compras em 75%.
Apesar do desempenho externo, o setor abastece majoritariamente o mercado doméstico, com as remessas ao exterior representando cerca de 26% da produção nacional. Com o consumo interno enfraquecido, o escoamento internacional tem sido insuficiente para reverter a tendência de queda dos preços.
A pressão também atingiu o mercado atacadista. A carcaça especial suína negociada na Grande São Paulo registrou média de R$ 9,01/kg em abril, queda mensal de 10,4%. Em termos reais, a desvalorização acumulada em 2026 chega a 30,9%, levando a carcaça ao menor patamar desde fevereiro de 2019.
Outro indicador preocupante é a deterioração da relação de troca. Em São Paulo, a venda de 1 kg de suíno passou a comprar 5,22 kg de milho e 3,39 kg de farelo de soja, com perdas de poder de compra superiores a 11% em apenas um mês. O resultado é um achatamento das margens e maior pressão sobre os produtores.
Qual o contexto?
A queda simultânea dos preços do suíno vivo, da carne no atacado e do poder de compra dos produtores mostra que a recuperação da demanda doméstica é essencial para restabelecer o equilíbrio de mercado. Enquanto o consumo interno permanecer enfraquecido, a tendência é de manutenção das dificuldades econômicas nas granjas.
Por outro lado, a carne suína ganhou competitividade frente às proteínas concorrentes. Em abril, os preços da carne bovina e do frango avançaram, ampliando a diferença em relação à proteína suína. Esse cenário pode estimular a substituição de consumo nos próximos meses, mas ainda não elimina os riscos de rentabilidade enfrentados pelos produtores.
Referências:Boletim Suíno – Cepea/Esalq USP (Abr/26)
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