Por que o peixe custa caro? O desafio que trava a aquicultura no Brasil
Produção cresce, mas consumo não decola. Clima, preços, frango e importações desafiam o produtor e ampliam o déficit do setor.

A aquicultura brasileira avança em produção, mas ainda enfrenta entraves estruturais para ganhar competitividade no mercado interno. Custos elevados, sazonalidade do consumo, concorrência com outras proteínas e pressão de importados moldam o cenário econômico do setor, segundo análise do projeto Campo Futuro, do Sistema CNA/Senar.
O peso do hábito e do bolso
Embora a produção nacional cresça anualmente, o brasileiro ainda consome apenas 10 kg de peixe por ano — metade da média global. Existe um desejo real de comer mais pescados, mas o preço elevado e a falta de hábito no preparo doméstico travam o avanço do setor. Muitas vezes, a percepção de que o peixe é “caro” nasce do fato de o consumo ocorrer majoritariamente em restaurantes.
Clima e sazonalidade regional
O mercado de pescados é extremamente dinâmico e sofre interferências diretas do clima. Nas regiões Sul e Sudeste, por exemplo, o frio entre junho e agosto reduz a demanda, enquanto no Norte, a estabilidade térmica mantém o consumo constante ao longo de todo o ano.
Essa variação climática reflete diretamente no bolso de quem produz. No Paraná, os preços pagos pela tilápia costumam cair nos meses de inverno. Já em Rondônia, o tambaqui não segue essa tendência de queda, mostrando que cada espécie e região exige um planejamento comercial distinto.
A disputa com o frango e os importados
Não se pode olhar para o peixe isoladamente. O mercado de outras proteínas, especialmente o frango, dita o ritmo das cotações. Em diversos períodos, nota-se que o preço do pescado acompanha as oscilações da avicultura, obrigando o produtor a monitorar os vizinhos de gôndola.
O movimento do mercado de consumo, seja por preço ou mudança de hábitos, é perceptível pela forma como o consumidor faz suas escolhas na gôndola. Veja mais sobre essa elasticidade de demanda da proteína animal.
Além disso, a entrada de filés de tilápia congelada importados acendeu um sinal de alerta. Mesmo em volumes ainda pequenos, essas importações influenciam as cotações nacionais e aumentam a pressão competitiva sobre o aquicultor brasileiro.
Estratégias para a sustentabilidade
Para sobreviver a esse cenário complexo, o caminho passa pela gestão eficiente e pela inovação. O relatório sugere que o produtor não deve apenas criar peixes, mas gerir um negócio que considere desde o câmbio até o preço dos insumos, como soja e milho.
- Escalonamento: Ajustar a produção para evitar excesso de oferta em épocas de baixa demanda;
- Processamento: Oferecer produtos prontos ou semiprontos para facilitar a vida do consumidor;
- Diferenciação: Investir em marcas próprias e indicações geográficas para fidelizar o público;
- Certificação: Buscar selos que garantam a qualidade e abram novos mercados.
A sustentabilidade do negócio aquícola depende dessa capacidade de adaptação para conquistar o mercado interno, ratificando a tendência de crescimento de consumo de proteína animal no Brasil.
Referências:Mercado na aquicultura: o desafio de acompanhar seu dinamismo
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