Novo plano agrícola chinês propõe produzir mais e importar menos
Estratégia setorial chinesa mantém meta de 700 milhões de toneladas de grãos e reforça coordenação entre produção interna e compras externas

A China anunciou nova fase para sua política agrícola em 2026, com revisão do conceito de segurança alimentar. A prioridade deixa de ser apenas volume e passa a incorporar qualidade produtiva, que inclui: otimização de variedades com maior valor de mercado, melhor estrutura de plantio, eficiência por hectare, modernização de cadeias produtivas etc.
O governo chinês mantém meta de produção de grãos em cerca de 700 milhões de toneladas e sinaliza coordenação mais rigorosa das importações com a produção doméstica, buscando reduzir a dependência das importações e valorizando a produção local. Essa movimentação vem na sequência da implantação de cotas de importação determinadas pela China.
Comércio e importações
Em 2025, a China foi o segundo maior importador global de produtos agrícolas, com US$ 207 bilhões em compras externas. Soja, carnes, laticínios, frutas e vinho seguem essenciais para suprir déficits estruturais entre oferta interna e demanda.
Com a orientação para ajustar ritmo e volume das compras, mercados exportadores dessas commodities – entre eles o Brasil, cujos envios para a China representam mais de 30% das exportações agropecuárias nacionais – podem ter dificuldades futuras.
Novas metas produtivas
O plano reforça a expansão da capacidade de soja e de oleaginosas como colza e amendoim, além da manutenção do teto de produção de grãos. A ideia é priorizar a estabilidade de oferta, melhoria de qualidade e maior previsibilidade ao abastecimento interno.
Conforme o plano, as regiões produtoras terão ganho de produtividade com integração de sementes de maior rendimento, maquinário avançado e práticas agrícolas padronizadas. Além da melhoria da qualidade de vida no campo e estabilidade contratual com os produtores.
Infraestrutura e inovação
Tecnologia e inovação Integração de inteligência artificial, drones e Internet das Coisas. Prioridade para máquinas adaptadas a áreas montanhosas e avanço na comercialização de sementes biotecnológicas.
Proteção de terras e recursos
Manutenção da “linha vermelha” de 120 milhões de hectares aráveis. Modernização da irrigação e criação de fontes emergenciais de água para mitigação de secas.
Pecuária e nutrição animal
Controle da capacidade de produção de suínos para reduzir ciclos de excesso e escassez. Incentivo ao milho para silagem e à alfafa para reduzir custos de ração.
Apoio ao produtor
Extensão de contratos de terra por mais 30 anos em projetos piloto. Manutenção de preços mínimos para arroz e trigo e subsídios para fertilidade do solo e compra de máquinas.
Resiliência e mitigação de riscos
O plano agrícola chinês incorpora o risco climático como fator estrutural, diante de secas, enchentes e maior volatilidade produtiva. A estratégia prevê monitoramento meteorológico ampliado, sistemas de alerta precoce, modernização da irrigação e mecanismos de resposta rápida para reduzir perdas e preservar a estabilidade da oferta de alimentos.
Rerferências:China’s Priorities in Agriculture and Rural Development in 2026
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