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Cafeicultura na Índia cresce e pressiona mercado de insumos agrícolas

Expansão da cafeicultura indiana pode elevar disputa global por fertilizantes e impactar a competitividade do Brasil

Cafeicultura na Índia cresce e pressiona mercado de insumos agrícolas

A Índia projeta produzir 6,14 milhões de sacas de café em 2026/27, com leve retração causada pelo clima irregular e pela queda de 8% no rendimento do Arabica. O Robusta seguirá dominante, com 4,58 milhões de sacas e maior resiliência climática.

O consumo interno deve crescer para 1,58 milhão de sacas, impulsionado pelo café solúvel, que já representa 73% da demanda doméstica. Cafeterias especializadas e o consumo fora do lar também sustentam a expansão do mercado indiano.

As exportações devem avançar 3%, para 6,22 milhões de sacas, favorecidas por acordos comerciais com Reino Unido e EFTA. Itália, Alemanha, Rússia e Bélgica seguem entre os principais destinos do café indiano.

Os preços ao produtor recuaram até 16% desde outubro, pressionados pela expectativa de maior oferta global. O setor enfrenta custos elevados de fertilizantes e mão de obra, enquanto pequenos produtores representam 98% dos cafeicultores do país.

Índia tem meta ousada de crescimento

O plano da Índia é ampliar a produção de café e atingir 900mil toneladas, conforme os dados do USDA. O relatório também destaca o consumo de fertilizantes para expandir as colheitas, à base de nitrogênio, fósforo e potássio.

Dependente de importações, a demanda crescente da Índia pressiona a base de fornecimento em um mercado marcado pela volatilidade do mercado global de energia (especialmente o gás natural usado na produção de fertilizantes nitrogenados), além dos conflitos geopolíticos.

Concorrência com o café brasileiro

O Brasil também abastece os principais destinos do café indiano como: Itália, Alemanha, Rússia e Bélgica e Reino Unido, além do EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), com este último bloco o Mercosul tem um acordo comercial firmado.

Juntos, esses mercados representam parcela relevante das exportações brasileiras de café (1.048.244 de toneladas), com destaque para Alemanha (15,9%), Bélgica (9,44%) e Itália (7,35%).

O Brasil é o maior produtor mundial de café e, embora a escala da cafeicultura indiana ainda seja menor, pode sofrer com o crescimento das lavouras pelo mundo, pois isso aumenta a disputa por insumos, encarece a produção e prejudica a competitividade da cafeicultura nacional.

Qual o contexto?

O café é um dos três principais produtos da pauta exportadora do agronegócio brasileiro, tendo alcançado recorde de valor em 2025 (US$ 14,86 bilhões), conforme os dados do USDA. Essa prosperidade é mérito de pequenos e médios produtores (propriedades de até 50 hectares, que representam 88% dos estabelecimentos produtores de café.

Os riscos de fornecimentos de insumos impactam diretamente a competitividade dessas propriedades, bastante sensíveis às quedas de margem e custo do crédito. Ainda que a cafeicultura atraia bastante inovação, a atividade ainda depende de mão de obra humana, especialmente na colheita, que responde por cerca de 70% da força de trabalho anual da lavoura.

A cafeicultura é uma atividade de R$ 56,2 bilhões de valor bruto de produção (CNA/Senar, 2022), US$ 14,86 bilhões de exportação (USDA, 2025) e emprega 583.699 pessoas (CNA/Senar, 2025).

Esse desempenho demonstra a importância da atividade do ponto de vista econômico e social. Por isso, monitorar a concorrência e adotar medidas para reduzir a dependência de fertilizantes importados é um caminho viável para assegurar a minoração dos riscos.

Referências:Coffee Annual – Índia – USDA (Maio/26)

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