Bioinsumo da Embrapa combate pragas da soja e ajuda a reduzir importação de insumos
Brasil importa mais de 80% dos adubos consumidos; biológico encontrado na Amazônia trabalha no combate a pragas e ajuda crescimento vegetal

A expansão dos bioinsumos no Brasil ganhou mais um capítulo rumo à redução da dependência externa do fornecimento de fertilizantes, que hoje está acima de 80%. Em estudo voltado à biodiversidade amazônica, pesquisadores identificaram um fungo, o Trichoderma agriamazonicum, com potencial para controle biológico, estímulo ao crescimento vegetal e desenvolvimento de novos antibióticos.
O microrganismo foi isolado da casca do cardeiro, árvore nativa da Amazônia, e apresentou ação contra nove fitopatógenos agrícolas, além de produzir compostos bioativos inéditos. Os testes também apontaram atividade antimicrobiana comparável ou superior à de antibióticos comerciais em ensaios laboratoriais.
Insumo biológico combate mancha alvo e atracnose
A pesquisa foi conduzida pela Embrapa Amazônia Ocidental, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com apoio de CNPq, Capes e Fapeam. A identificação taxonômica da nova espécie foi consolidada em tese de doutorado defendida em 2025, após quase duas décadas de preservação do microrganismo em coleção biológica.
O estudo utilizou a metodologia syn-BNP, que combina mineração genômica e síntese química para prever moléculas antes do isolamento físico. A abordagem acelerou a identificação de peptaibols inéditos produzidos pelo fungo, reduzindo a necessidade de cultivos extensivos em laboratório.
Nos ensaios, o fungo inibiu patógenos como Corynespora cassiicola e Colletotrichum spp., associados a doenças foliares em diferentes culturas como mancha alvo e atracnose. Também apresentou capacidade de produzir 60,53 µg/mL de ácido indolacético (AIA), hormônio ligado ao desenvolvimento vegetal, reforçando o potencial de uso em bioprodutos agrícolas.
Qual o Contexto?
A descoberta ocorre em meio à expansão dos bioinsumos no Brasil. A área tratada com soluções biológicas cresceu 28% na safra 2023/24, enquanto o mercado brasileiro do segmento já movimentou mais de US$ 5 bilhões, consolidando o país entre os principais polos globais de insumos biológicos para o agro.
Fábrica de Bioinsumos prevê faturamento de até R$ 18 milhões anuais, segundo estudo da Embrapa.
Com mais de 80% dos fertilizantes consumidos no país vindo do exterior, pesquisas voltadas ao uso de microrganismos ganharam peso estratégico no setor. Além do controle biológico de doenças, esses produtos vêm sendo utilizados para estimular o desenvolvimento vegetal e ampliar a resiliência das lavouras em condições de estresse climático.
Referências:Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos
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