Oferta global de milho se sustenta com ganhos no Brasil e na Ásia
Mesmo com recuo na produção das grandes potências agrícolas do Hemisfério norte o mercado mundial manteve estabilidade e preços firmes em 2025.

O mercado global de milho operou em equilíbrio na temporada 2024/25, com a produção mundial estimada em 1,23 bilhão de toneladas. Esse volume indica estabilidade frente ao ciclo anterior, mas esconde variações regionais profundas que redesenharam o fluxo do comércio.
Ganhos no Sul compensam perdas entre grandes produtores do Norte
Enquanto o Brasil e a Índia registraram avanços significativos de 14% e 12%, respectivamente, importantes produtores do Norte enfrentaram retração. A China também apresentou um crescimento moderado de 2% em sua colheita interna.
- Estados Unidos: queda de 3% na produção.
- Ucrânia: recuo acentuado de 17%.
- Rússia: baixa de 15% no volume colhido.
A demanda global seguiu aquecida, atingindo 1,25 bilhão de toneladas, um crescimento de 2%. Esse consumo superior à produção resultou em uma queda de 7,5% nos estoques finais mundiais, que fecharam em 291,65 milhões de toneladas. Com isso, a relação estoque/consumo recuou para 23,3%.
Conheça os maiores produtores mundiais de milho
Estoques mais apertados sustentam preços apesar da retração no comércio global
O reflexo desse aperto nos estoques globais foi sentido nas bolsas internacionais. Em Chicago, o preço médio anual do milho ficou em US$ 4,38 por bushel, o que representa uma elevação de 3% na comparação com 2024.
O comércio entre países teve uma leve retração, com 191,24 milhões de toneladas movimentadas, volume 3% inferior à safra passada. Esse cenário de preços firmes no exterior contrastou com momentos de pressão interna no Brasil, onde a oferta recorde pesou sobre as cotações locais.
Ritmo mais lento de exportações amplia oferta no mercado interno
Apesar da produção doméstica robusta, o ritmo de embarques brasileiros foi mais lento no primeiro semestre. Entre fevereiro e julho de 2025, o país exportou 5,3 milhões de toneladas, volume abaixo das 7 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.
Essa lentidão nas vendas externas, somada ao avanço da colheita da segunda safra, aumentou a disponibilidade interna do cereal. O movimento deu maior poder de barganha aos compradores e pressionou os vendedores a serem mais flexíveis nas negociações durante o auge da safra.
Referências:Agromensal do Milho, Dezembro de 2025. Cepea/Esalq USP
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