Mercado de títulos privados do agro supera R$ 1,3 trilhão
CPR e LCA lideram financiamento fora do orçamento público, impulsionados por novas regras de crédito rural

O mercado de financiamento privado do agronegócio brasileiro iniciou 2026 em nível recorde, impulsionado pela expansão da Cédula de Produto Rural (CPR) e da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).
O Ministério da Agricultura e Pecuária aponta que o estoque somado desses títulos amplia o financiamento das cadeias produtivas do agronegócio, adaptando-se às novas exigências de direcionamento bancário.
CPR
O estoque da CPR, principal instrumento de financiamento direto, alcançou R$ 560,26 bilhões no início deste ano. Esse montante representa uma evolução de 17% em comparação ao mesmo período de 2025, e 343% em relação ao ano de 2022, quanto o estoque foi de R$ 126 bilhões. O crescimento reflete a expansão do uso da CPR como instrumento de financiamento do agronegócio.
O que pode ser financiado com CPR:
- Produção Animal: Bezerros, bois, aves, suínos e genética bovina.
- Grãos e Grandes Culturas: Soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e trigo.
- Sustentabilidade: Créditos de carbono, recuperação ambiental e serviços ambientais.
- Insumos: Fertilizantes, defensivos, máquinas e bioinsumos.
LCA
A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) continua sendo o maior pilar em volume financeiro, com R$ 589,79 bilhões em estoque. Na safra 2025/26, os bancos devem direcionar 60% dos recursos captados via LCA para financiamento rural, sendo 45% obrigatoriamente aplicados em operações de crédito rural.
Bancos públicos predominam no financiamento agropecuário
Os bancos públicos ainda lideram a distribuição desses recursos, sendo responsáveis por quase 40% das contratações de crédito rural originadas na LCA. Logo atrás, bancos privados e cooperativas de crédito dividem fatias equilibradas, com 32% e 27% respectivamente. Essa capilaridade é essencial para que o crédito chegue a diferentes perfis de produtores em todo o país.
Mercado de capitais e Fiagros
No mercado de capitais, o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) também mostrou força, com alta de 16% no estoque anual. Esse título permite que empresas do setor captem recursos diretamente com investidores, somando hoje R$ 177,87 bilhões. Já o CDCA foi o único a recuar, com queda de 15% no período.
Os Fiagros retomaram seu ritmo de crescimento e transparência após ajustes regulatórios da CVM. O número de fundos ativos quase dobrou em um ano, chegando a 256 em dezembro de 2025. O patrimônio líquido desses fundos já beira os R$ 48 bilhões, consolidando-se como uma alternativa viável para diversificação de investimentos no setor.
Referências:Boletim de Finanças Privadas do Agro – fev.2026
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