Pesquisa desenvolve abacaxis resistentes a fungo e com dobro de produtividade
Cultivares BRS Sol Bahia e Diamante dispensam uso de agrotóxicos, elevando ganhos e a proteção da produção nacional.
Produtores brasileiros agora contam com plantas resistentes à fusariose, enfermidade que costuma devastar plantios comerciais. Desenvolvidas pela Embrapa, as novas variedades entregam colheitas de até 56 toneladas por hectare. Essa inovação biotecnológica elimina gastos com fungicidas no combate ao patógeno, garantindo maior rentabilidade.
Ganhos no campo
Além da sanidade, os materiais proporcionam facilidade no manejo cotidiano das fazendas. As folhas possuem poucos espinhos, o que evita ferimentos nos colaboradores e dispensa a poda de limpeza. Tal característica preserva a área foliar necessária para o pleno desenvolvimento do fruto, impactando no peso final da carga.
A adaptação climática abrange as principais regiões produtoras do território brasileiro. Os frutos apresentam polpa firme, suportando melhor o transporte em longas distâncias sem sofrer danos físicos. Para o mercado, isso resulta em maior vida de prateleira e redução do desperdício após a saída das lavouras.
Qualidade e sabor
Diferente das variedades tradicionais, essas frutas devem ser colhidas quando a casca já está colorida. O ponto ideal ocorre com 50% a 75% da superfície externa amarela, o que assegura o máximo teor de açúcares. O manejo correto evita a acidez excessiva e entrega um item superior para o consumo direto das famílias.
“Nossos materiais possuem um conjunto de características que os tornam produtos superiores, sendo a principal delas a resistência à fusariose. E é resistência total, diferente de tolerância”, afirma Davi Junghans, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura. Tal salto tecnológico visa garantir a sustentabilidade econômica da abacaxicultura.
Eficiência econômica
O impacto financeiro é sentido diretamente na queda do custo operacional da safra. Sem a necessidade de pulverizações químicas frequentes, a margem líquida do agricultor aumenta consideravelmente. Em Minas Gerais, polos como Frutal já validam esses resultados com áreas de teste altamente produtivas.
Júlio Cesar Leonel, vice-presidente da Coopercisco, recorda os prejuízos de ciclos passados com as mudas comuns. “Foi um desastre nas plantações de abacaxi, enquanto nenhuma das plantas do experimento da Embrapa teve problema com a doença”, relata o produtor parceiro. A experiência prática ratifica a segurança dessas variedades para o investimento rural.
Empresas envolvidas
O lançamento das novas cultivares contou com a parceria da Embrapa, Epamig e Emater-MG, além do apoio da Prefeitura de Frutal, Câmara de Vereadores, Coopercisco, Sebrae, Sicredi e Sicoob.
Essas instituições participaram da validação dos materiais e da organização dos eventos de campo, reforçando a importância da cooperação entre pesquisa, extensão e produtores rurais para o avanço da fruticultura nacional.
Mudas disponíveis
As mudas das variedades BRS Sol Bahia e BRS Diamante estão sendo produzidas por biofábricas e taleiros licenciados pela Embrapa, dentro da Rede Ananás. Essa rede garante a multiplicação de material propagativo com qualidade genética e fitossanitária.
Os diferenciais competitivos dos novos materiais incluem resistência genética ao fungo Fusarium guttiforme, volume produzido de 56 t/ha frente aos 26 t/ha da média do país, folhagem com reduzida presença de espinhos laterais e polpa em tom creme com elevada concentração de açúcares.
Os produtores interessados devem adquirir mudas diretamente dos licenciados, assegurando a origem certificada e a sanidade das plantas para implantação de áreas comerciais.
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