HomeSustentabilidade Café de Rondônia une tecnologia e ganho ambiental no campo

Café de Rondônia une tecnologia e ganho ambiental no campo

Pequenas fazendas familiares lideram produtividade e reduzem área plantada em 75% com uso de irrigação e internet.

O café de Rondônia tem grau de tecnificação elevado, alta produtividade, sustentabilidade ambiental e boa margem de lucro. Foto: Enrique Alves

A cafeicultura em Rondônia apresenta um cenário de alta tecnificação e lucros crescentes para o produtor rural. Um estudo da Embrapa revela que a produtividade média no estado atingiu 68,5 sacas por hectare, superando os 50,4 da média brasileira. Essa eficiência permitiu reduzir a área de cultivo em 75% desde 2001, enquanto a produção total cresceu 550%.

Foco na gestão familiar

O setor é movido por pequenas propriedades de 28 hectares, em média, onde o faturamento subiu 38% nos últimos dois anos. Com lavouras médias de apenas 3,4 hectares, as famílias conseguem manter a viabilidade econômica do negócio. Esse movimento tem atraído novas gerações, reduzindo a idade média do produtor de 53 para 47 anos.

Tecnologia e conectividade

  • Irrigação: presente em 98,7% da área total plantada.
  • Internet: acessada por 97,7% dos cafeicultores rondonienses.
  • Mecanização: uso crescente de colhedoras semi-mecanizadas.

“Uma saca de 60kg tem um custo de R$ 618,00 e é vendida a cerca de R$ 1.300,00, uma margem que tem ajudado a melhorar a vida de muitos produtores.”

Calixto Rosa Neto, Analista da Embrapa Rondônia.

Desafios operacionais

Apesar do avanço, a escassez de mão de obra temporária é um gargalo real para a colheita dos robustas. A arquitetura da planta exige máquinas específicas, já que o modelo para café arábica não se aplica totalmente. Além disso, a gestão financeira ainda é amadora: 61% dos produtores não registram custos e receitas.

Adaptação climática

As mudanças no clima forçaram o aumento do período de irrigação, que passou de três para cinco meses. O maior calor e as secas prolongadas elevam os custos com energia elétrica e pressionam a disponibilidade de água, exigindo maior eficiência na gestão dos custos. Além disso, o uso racional da água tornou-se peça-chave para equilibrar o vigor das plantas e os custos operacionais.

Equilíbrio sustentável

O sistema produtivo sequestra 2,3 vezes mais carbono do que emite, contribuindo para a mitigação climática. Em sete municípios da região, o desmatamento foi zero entre os anos de 2020 e 2023. O café ocupa apenas 0,8% da área total da região das Matas, preservando a floresta nativa.

“Esse café está se consolidando como produto de alta qualidade, que promove o desenvolvimento social e ajuda a manter a Amazônia.”

Enrique Alves Pesquisador da Embrapa.

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