Soja: safra recorde e oferta global derrubam preços em 2025
Com produção histórica de 171,48 milhões de toneladas, o Brasil lidera o mercado mundial, mas enfrenta as menores cotações desde 2019.

Em 2025 , o produtor brasileiro colheu uma safra recorde de 171,48 milhões de toneladas em um cenário de alta volatilidade e ampla oferta global. Mesmo com custos e desafios logísticos, o país respondeu por 40% da produção mundial.
No entanto, a liderança consolidada do Brasil na produção de soja foi coadjuvante no comércio exterior, marcado pelo excesso de grãos e disputas entre grandes potências, fatores que puxaram os preços para os níveis mais baixos desde 2019.
Recordes no campo, pressão no bolso
A temporada foi marcada por um contraste nítido: colheita farta e rentabilidade apertada. No Brasil, o avanço da tecnologia e a produtividade elevada compensaram as perdas pontuais registradas no Rio Grande do Sul.
O resultado foi uma disponibilidade interna massiva, que ajudou o país a atingir o marco de 55,8% das exportações globais de soja. Contudo, essa abundância teve um custo direto nas cotações.
O Indicador CEPEA/ESALQ USP Paraná registrou uma média anual de R$ 130,10 por saca, o menor valor real dos últimos seis anos. Como as safras dos Estados Unidos e da Argentina também se recuperaram, o mercado global ficou saturado, forçando uma queda de 5,7% nos preços negociados na Bolsa de Chicago.
O fôlego que vem do óleo
Se o grão enfrentou dificuldades, o óleo de soja surgiu como um importante suporte para a indústria. Impulsionado pela nova mistura obrigatória de biodiesel (B15), que passou a vigorar em agosto, a demanda doméstica pelo derivado saltou para 10,6 milhões de toneladas.
Isso permitiu que os preços do óleo bruto superassem a marca de R$ 7.000 por tonelada em certos períodos. Essa dinâmica alterou a composição do lucro das esmagadoras. De forma inédita, a participação do óleo na margem da indústria cresceu, chegando a representar 45,4% do valor total em 2025.
Farelo em queda histórica
Já o mercado de farelo de soja não teve o mesmo desempenho. Pressionado pelo aumento do esmagamento e pela maior competitividade da Argentina, o produto viu seus preços caírem para os patamares mais baixos em 14 anos.
Nas principais praças acompanhadas pelo CEPEA/ESALQ USP, a queda real média chegou a 19,1% em relação ao ano anterior. Apesar do consumo interno recorde de 20 milhões de toneladas, a oferta foi tão grande que os preços seguiram em queda.
Referências:Agromensal Cepea/Esalq USP – Soja – Dezembro de 2025
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