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Açúcar cai em 2025 apesar da oferta restrita e perdas na safra

Preços internos e externos recuaram em 2025, com exportações 11,6% menores e receita em queda de 24%, mesmo com restrições de oferta no Brasil.

Imagem: Istockphoto.com

O mercado de açúcar em 2025 seguiu um movimento que contrariou expectativas iniciais de preços elevados pela escassez global, mas o que se viu foi uma queda expressiva nos valores internos e externos, conforme aponta o agromensal do açúcar 2025 Cepea/Esalq USP.

O produtor enfrentou um cenário marcado pela queda de preços, mesmo diante de limitações na oferta. Parte do açúcar de melhor qualidade foi direcionada às exportações, limitando a oferta doméstica desse tipo específico de produto.

Mercado interno recua, mas mantém prêmio sobre exportações

O ano começou com o Indicador CEPEA/ESALQ em patamares elevados, batendo R$ 154,98 por saca em janeiro. Contudo, a trajetória mudou com o início da moagem em abril, iniciando um declínio contínuo.

Em novembro, o valor chegou a R$ 105 por saca, o menor nível nominal registrado desde abril de 2021. Mesmo com a desvalorização, o mercado interno pagou melhor que o externo em certos momentos.

Em setembro, o açúcar no spot paulista chegou a remunerar 9,17% a mais do que as vendas para fora. Essa diferença de preços foi o que incentivou as usinas a buscarem alternativas, como direcionar maior volume ao mercado doméstico.

  • Indicador em janeiro: R$ 154,98/sc 
  • Indicador em novembro: R$ 105,00/sc 
  • Prêmio do mercado interno: +9,17% 

Exportações recuam com safra menor e preços menos atrativos

O volume de açúcar e melaço enviado ao exterior somou 33,778 milhões de toneladas em 2025. O número representa um recuo de 11,66% em comparação ao volume registrado no ano anterior.

A receita também sentiu o impacto, caindo 24,12% para US$ 14,116 bilhões. A combinação de uma safra nacional menor com preços internacionais menos atrativos explica esse desempenho mais tímido nas vendas externas.

Superávit global pressiona preços internacionais

Na Bolsa de Nova York, os contratos que começaram o ano entre 18 e 19 centavos de dólar por libra-peso despencaram. Em novembro, atingiram 14 centavos, uma queda acumulada superior a 24%.

O balanço mundial saiu de um déficit para um superávit projetado de até 3,7 milhões de toneladas. É o maior excedente global de açúcar visto desde a temporada de 2017/18.

Recuperação da Produção Global

A produção mundial deve atingir 181,7 milhões de toneladas. Esse aumento é puxado pela forte recuperação das safras na Índia, com alta de 24%, e na Tailândia, que cresceu 14% no período.

  • Produção global: 181,7 milhões t 
  • Superávit mundial: até 3,7 milhões t 
  • Crescimento do consumo: +0,56% 

Clima adverso, incêndios e pragas reduzem produtividade no Brasil

O Centro-Sul viveu seu pior déficit de chuvas em 25 anos, com apenas 500 milímetros acumulados. Para comparar, a safra anterior contou com mais que o dobro desse volume de água no campo.

Incêndios devastaram até 450 mil hectares de canaviais entre agosto e setembro de 2024. Os danos comprometeram a qualidade da cana e a capacidade de rebrota das plantas ao longo de todo o ano de 2025.

A produtividade caiu para 77,2 toneladas por hectare, quase 10% menos que no último ciclo. Além do clima, a murcha da cana atingiu 30% das áreas, com perdas localizadas de até 45% na produção.

Em setembro, a ciência identificou o fungo Colletotrichum spp. como causa da doença. A descoberta permite que o setor desenvolva variedades mais resistentes e estratégias de manejo para proteger o futuro do negócio.

Indicador CEPEA/ESALQ confirma tendência de queda ao longo do ano

Ao final de 2025, a relação de preços mostrou a vantagem do mercado doméstico. Enquanto o preço médio interno em Santos era de R$ 373,96, o mercado internacional ficava em R$ 362,63.

Essa paridade de exportação reforça o cenário de competitividade interna. A relação entre os mercados ficou em 0,97, evidenciando que o produto brasileiro encontrou melhor remuneração dentro de casa.

O gráfico do indicador em 2025 revela uma linha de descida constante a partir de abril. O movimento contrasta com os picos de preços observados nos anos de 2023 e 2024.

Essa volatilidade marcou o início da safra 2025/26. A entrada da nova safra ampliou a oferta disponível no mercado interno, pressionando as cotações, mesmo diante de tantos desafios produtivos no campo.

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